Multiplicação antes da soma
valeA multiplicação age como se tivesse parênteses invisíveis em volta.
Numa expressão com várias operações, a ordem muda o resultado: 2 + 3 × 4 dá 14, não 20. A regra é uma só, e vale em todo lugar — na escola, na calculadora e nas fórmulas da estatística.
A conta acima vai camada por camada: os parênteses (5 − 3 = 2), a potência (2² = 4), o resto dos colchetes (1 + 4 = 5), a multiplicação (2 × 5 = 10) e, por último, a subtração.
Digite uma expressão e veja uma operação por passo, cada uma com o motivo de vir naquela hora. Vale + − × ÷ (ou * e /), ^ para potência, vírgula nos decimais e ( ), [ ], { }.
É uma convenção — mas não é arbitrária. Multiplicar é somar parcelas iguais, e potência é multiplicar fatores iguais. Cada operação é um atalho para várias da anterior, e o atalho fica “colado” como um número só:
Por isso quem é mais forte vai primeiro. E, como subtrair é somar o oposto e dividir é multiplicar pelo inverso, subtração tem a mesma força que a soma, e divisão, a mesma que a multiplicação: entre elas, decide a ordem da leitura.
Quando se quer outra ordem, escrevem-se parênteses. Colchetes e chaves são só parênteses de outro formato, para o olho achar qual fecha qual.
Arraste os valores: os números são os mesmos nos três cards.
A multiplicação age como se tivesse parênteses invisíveis em volta.
Fazer a soma primeiro “porque soma vem antes” é o erro. As duas têm a mesma força.
O mesmo vale aqui: quem aparece primeiro, vai primeiro.
O sinal fica de fora. A potência pega só o 3; o menos entra depois. Para elevar o −3, escreva (−3)² = 9.
Não é 8 ÷ 8. Divisão e multiplicação vão na ordem da leitura: 8 ÷ 2 = 4, e 4 × 4 = 16.
Não é 10 − 5. Primeiro 10 − 3 = 7, depois 7 + 2.
A conta que viraliza. Pela regra, 6 ÷ 2 = 3 e 3 × 3 = 9. Há quem leia o 2(…) colado como um bloco só e chegue a 1 — por isso, numa conta que importa, use parênteses e não deixe dúvida.
A barra de fração é um parêntese. Ela agrupa o numerador inteiro: na calculadora, digite (4 + 6) ÷ 2, não 4 + 6 ÷ 2 = 7.
A raiz também agrupa. Tudo o que está embaixo dela se resolve antes: √25 = 5, e não √9 + √16 = 7.
A variância é a média dos quadrados dos desvios. A fórmula diz em que ordem fazer — e cada ordem diferente dá outra coisa:
Para cada valor: primeiro a subtração dentro do parêntese, depois o quadrado. Só então a soma de todos, e por último a divisão. Somar os desvios antes de elevar ao quadrado daria sempre zero; elevar antes de subtrair daria outra fórmula. Os exemplos da calculadora incluem uma variância pronta para seguir passo a passo, e o desvio padrão é a raiz dela.
Para quem programa: Python, R, Excel e as calculadoras científicas seguem a mesma ordem. Em Excel há uma exceção conhecida — =-3^2 dá 9, porque o Excel aplica o sinal antes da potência.
1. Calcule 5 + 4 × 3 − 2.
Multiplicação primeiro: 4 × 3 = 12. Depois, da esquerda para a direita: 5 + 12 = 17, 17 − 2 = 15.
2. Calcule 20 ÷ 4 × 5.
Na ordem da leitura: 20 ÷ 4 = 5, e 5 × 5 = 25 (e não 20 ÷ 20 = 1).
3. Calcule 2 × (3 + 4)² − 10.
Parênteses: 3 + 4 = 7. Potência: 7² = 49. Multiplicação: 2 × 49 = 98. Subtração: 98 − 10 = 88.
4. Quanto vale −2⁴ + (−2)⁴?
−2⁴ = −16 (o sinal fica de fora) e (−2)⁴ = 16 (expoente par). Soma: 0.
5. Calcule 50 − {4 × [12 − (3 + 1) × 2]}.
Parênteses: 3 + 1 = 4. Colchetes: 4 × 2 = 8 e 12 − 8 = 4. Chaves: 4 × 4 = 16. Fim: 50 − 16 = 34.
6. As notas de uma prova foram 6, 8 e 10. Escreva a média como uma expressão só e calcule. Por que 6 + 8 + 10 ÷ 3 está errado?
(6 + 8 + 10) ÷ 3 = 24 ÷ 3 = 8. Sem os parênteses, a divisão pega só o 10: 6 + 8 + 3,33… ≈ 17,33 — uma “média” maior que todas as notas.